Adoração – esse é o tema central! E lá vamos nós com mais um review de um livro cristão – sim, eu curto muito os livros cristãos, afinal, é a religião que eu escolhi (ou fui escolhido – calvinistas entenderão) para seguir!

De cara foi um dos melhores livros que já li a respeito da adoração durante um culto prestado ao Senhor, um culto que deve ser bíblico.

Vale ressaltar que na maioria das vezes, aquelas pessoas que leem a Bíblia Sagrada acabam não lendo focando nesses quesitos, como a cristocentricidade do culto, tal como a teocentricidade da adoração. Acabamos lendo esse livro como um livro histórico sem nos atentarmos para as diretrizes que ele estabelece para várias situações da igreja.

Mas vamos direto ao assunto!

Desconstrução

Terry Johnson, com uma retórica impecável, começa a desconstruir diversos conceitos antropocêntricos que são aplicados à igreja dos dias atuais. Sim, caro leitor, a igreja tem se tornado um lugar extremamente antropocêntrico.

No primeiro capítulo do livro o autor cita expressões humanas que foram adicionadas ao culto sem que estivessem, de fato, citadas nas Escrituras Sagradas. Portanto, Terry Johnson compreende que essas práticas são culturais, mas não são bíblicas, e por isso não devem estar presentes no culto público.

Embora ele aceite a verdade de que qualquer coisa na vida do cristão deve ser para o glória de Deus, como está escrito em 1 Coríntios 10:31, ele entende que os desígnios divinos para o culto estão expressos em outros lugares.

Ao colocar tais fatos expostos de forma tão simples, Terry Johnson tem o intuito não de tornar sua obra simplista, mas de mostrar a realidade reformada da adoração – a adoração bíblica.

É importante frisar o bíblica pois quando falamos em reforma, algumas correntes teológicas mais recentes tendem a demonizar tais conceitos.

Sejamos francos, a reforma protestante foi uma benção de Deus para a igreja atual, e é uma pena que as doutrinas das igrejas mais modernas simplesmente abandonaram os reformadores e seus entendimentos.

Terry Johnson exclui do culto público tudo aquilo que não está explicito nas Escrituras Sagradas que se deve haver no culto público. Danças não aparecem, teatros também não. A função do culto público é adorar a Deus – simples assim.

Mas Matheus, ele não está sendo muito exagerado ao avaliar e retirar tudo isso de um culto?

Sinceramente, acredito que não. E digo que não porque penso que se a Bíblia é a regra de fé e prática, devemos cumprir o que está escrito ali. Nada mais importa além disso.

Para finalizar o capítulo, o autor destaca:

No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura.
Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade”.

João 4:23,24.

Agora eu lhe pergunto: o que seria adorar em espírito e em verdade?

Adoração em Verdade

Terry Johnson não se cansa de enfatizar que a adoração deve seguir padrões bíblicos. O autor também se preocupa com o que nós chamamos de culto. É interessante pensar que ele se incomoda com o que chamamos de adoração quando a Bíblia não é lida, pregada ou cantada.

Inclusive, o autor se questiona em dado momento. Ele diz da seguinte forma: “Devemos chamar isso de culto? De evento? Celebração?”. O autor propositalmente nos faz pensar que tipo de culto estamos oferecendo a Deus.

São as Sagradas Letras que podem nos tornar sábios para salvação pela fé em Cristo Jesus. Consequentemente, a pergunta que fica é: que tipo de igreja haverá após uma geração de adoração na qual as Sagradas Letras estão, em grande parte, ausentes?

Você já se questionou sobre qual tipo de Evangelho ficará para as próximas gerações, sendo que a geração atual não se preocupa com conteúdo bíblico nas canções das músicas durante a pregação?

Para explicar a pergunta central do post, Terry decide inverter a ordem das coisas e apresentar primeiro a adoração em verdade para depois apresentar a adoração em espírito.

Terry Johson entende como a Assembléia de Westminster entendeu! Veja a seguir quais os pontos centrais da adoração em verdade.

1 – Leia a Palavra

A Assembléia de Westminster recomenda que seja lido capítulos inteiros da Palavra, pois fará com que as pessoas compreendam uma parte maior das Escrituras.

2 – Pegue a Palavra

Para Hughes Old “o sermão é uma explanação da leitura bíblica”. Usando Neemias 8, ele diz que não é apenas uma palestra sobre um tema religioso, mas uma explicação da palavra de Deus (2 Timóteo 4.2).

Vale ressaltar também que a pregação de toda a Bíblia, versículo por versículo, livro por livro, capítulo por capítulo, era uma característica dos pais da igreja, tal qual Orígines, Crisóstomo e Agostinho.

3 – Cante a Palavra

Nesse ponto, o autor enfatiza que as nossas músicas devem ter rico, riquíssimo, conhecimento teológico e bíblico.

4 – Ore a Palavra

Nossas orações devem ser ricas em conteúdo bíblico, portanto, essas orações devem estar baseados na Bíblia. É nela que conhecemos a vontade de Deus, os mandamentos de Deus e os desejos de Deus para o povo. É a partir daí que podemos clamar em oração. Matthew Henry e Isaac Watts criaram manuais de orações que até hoje tem guiado os protestantes a orarem segundo as Escrituras.

5 – Viva a Palavra

Esse último ponto é o crucial. Viver a Palavra significa poder olhar o cumprimento dos sacramentos, ou seja, ver como palavras visíveis. Terry Johnson diz que a adoração do protestantismo reformado é simples, pois apenas se lê, se prega, se ora, se cantae se vê a palavra de Deus.

Tudo isso acontece para que o culto seja bíblico. É necessário que nós compreendamos que o culto deve ser prestado a Deus. Portanto devemos seguir as regras que Ele mesmo criou. Alguns acreditam que a adoração reformada é antiga, não emocional e contrária às artes, porém a adoração reformada busca apenas a execução dos mandamentos bíblicos do culto público.

Em um culto reformado você encontrará cânticos que são focados em Deus, ou seja, são cânticos teológicos e cristocêntricos.

Portanto hoje a verdadeira batalha não são os elementos, mas sim as formas de adoração. O debate atual é se as formas contemporâneas são adequadas à expressão da fé reformada.

Calma

Segura essa ansiedade aí, pequeno gafanhoto! Achou que eu iria colocar no mesmo post? Que nada! É um assunto sério que eu gostaria de dividir em duas postagens, pois você pode compartilhar qual parte você quiser.

Comprar o livro

Se você quiser comprar o livro, é só clicar aqui, assim você ajuda esse blog a se manter 🙂

Matheus, devo ler esse livro?

Claro! Sim! Yes!

Título: Adoração Reformada

Autor: Terry Johnson

Páginas: ~ 100 páginas

Idioma: Português

Nota: ★★★★★ 5/5
Sinopse:  

Calvino lista os dois elementos que definem o Cristi­anismo, os quais, em suas palavras, constituem “o todo da substância do Cristianismo”. Esses dois elementos são primeiro “um conhecimento de qual é a maneira certa de se adorar a Deus; e o segundo é a fonte de onde emana a salvação”. W. Robert Godfrey comenta, “De forma enfática Calvino coloca a adoração à frente da salvação em sua lista dos dois elementos mais importantes do Cristianismo bíblico”. Eire comenta mais adiante:

Calvino define o lugar da adoração como nenhum dos seus predecessores tinha feito antes (…) Adoração, ele diz, deve ser o interesse central dos cristãos. Não é uma questão periférica, mas a “substância última” da Fé Cristã (…) alguém já disse que esta se tornou a definição fundamental que caracteriza o Calvinismo.

Qual é o ponto central do estudo bíblico e teológico do evangelismo e de missões, do conhecimento de Deus e de toda a religião cristã? A resposta é: a adoração. O verdadeiro conhecimento de Deus leva à adoração correta, que por sua vez, leva ao viver correto. Os teólogos da Reforma pregaram Soli Deo Gloria em todas as áreas da vida, porque eles tinham em vista a adoração.

Até mais meu povo, pois em breve estarei de volta para postar a segunda parte!